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A ÚLTIMA DEUSA

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A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança. Aparecido Donizetti Hernandez A ÚLTIMA DEUSA António Castel-Branco Mortos os deuses, ela permanece, não se rendendo ao esquecimento, ou a ser velha, enrugada, infeliz. Antes desprezando isto que se diz, sabe que o seu tempo nunca fenece, e perpetuando este momento, a sua beleza nunca esmorece. Semente da vida, ela enlouquece, quando se vê ferida e destroçada por ávidos homens. Quê? Não ouvis? Sinal dos tempos, o homem contradiz, mas sem recordar que ela não merece, pois mesmo assim triste, magoada, a ninguém recusa a sua benesse. Sinal dos tempos? Qual o tempo dela? Foi antes, agora, será depois? Seu tempo é presente, não envelhece, bom para os homens, de quem não se esquece. Os deuses não morrem, sempre de vela, intemporais, permanecem a dois, tornando esta vida muito mais bela. E seja qual for a forma escolhida, sua presença nos dá alimento, abrigo e calor, carinho e amor. Na...