sábado, 3 de novembro de 2012

ADMITA

Admita
Neusa Mendonça
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Não adianta fugir, nem se esquivar a sorte esta lançada
Dizem que o amor e o ódio são vizinhos
Mas por você nutro muito carinho
Simplesmente e é nada mais
Para mim tanto fez como tanto faz
Nada mais vai conseguir tirar minha paz
Já consigo te olhar de outra maneira
Quer saber ainda como a primeira
Você nunca será carta descartada
Em meu coração sempre estará guardada
Não como antes
Mas pode mudar a qualquer instante
De vítima passei a ser ré confessa
Mas não tenho pressa
A vida ensina
Se for essa nossa sina
Assim
Seja..

terça-feira, 30 de outubro de 2012

TEU NOME AO VENTO


TEU NOME AO VENTO

Fátima Porto
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Gritei teu nome ao vento
Para que me ouvisses
Abri meus braços
Tal anseio da chegada

O vento levou meu brado
Mas de volta nada me trouxe
E no silêncio do mar
Espero recados teus

Olho o céu azul
O mar bate nas pedras da praia
Bramindo um choro dolente
Tal a fúria de quem nada pode fazer
Do meu grito ao vento

Meus braços estão vazios
Do calor onde teu abraço me acolhe
Vem…

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ROGATIVA


ROGATIVA. 

–Thalma Tavares/SP– 
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Senhor, que olhas os antros, as vielas, 
os homens sem trabalho, o lar sem pão, 
que a minha fé não morra como as velas 
que ao mais leve soprar se apagarão. 

Ante a ganância atroz, cujas mazelas 
nos põem em sobressalto o coração, 
eu venho Te pedir pelas favelas 
que ora clamam por paz e proteção. 

O pobre, da miséria anda cansado 
e pensa, em sofrimentos mergulhado, 
que Tu, ó meu Senhor, lhe deste as costas. 

E é tanta, neste mundo, a violência 
que não querendo crer na Tua ausência 
eu ando pela vida de mãos postas.

Fonte: Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes

sábado, 27 de outubro de 2012

CLEMÊNCIA


Clemência
 Eduardo Luiz Silveira

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Sê clemente para comigo, ó Senhor,
Pois que minh’alma de transgressor e pecador
Jaz arrependida em desespero e dor!
Sei o quanto fui errado, o quanto a Ti entristeci,
Sei que a Tua santa aprovação já perdi
E por isso, de joelhos, ponho-me diante de Ti!
Adiante jamais voltarei a repetir meu pecado,
Faz de mim um novo ser, em Teu nome purificado,
Acolhido em Teus braços, limpo e renovado!
Meu coração precisa de regras para viver,
No caminho da retidão, firme, permanecer
E perante os Teus olhos não mais me corromper!
Sei que és Tu um Deus justo, misericordioso,
Peço a Ti, arranque de mim o espírito pecaminoso
E faz de mim puro, santo, ó Deus Todo-Poderoso!
A Ti elevo minhas preces, o Teu perdão
Hás de revestir, lavar e purificar o meu coração
E contigo livre estou da eterna condenação!
Glórias a Ti, meu Deus Maravilhoso e Onipotente!
Não mais serei um ser humano inconsequente,
De agora em diante íntegro, justo e decente!


TU REALMENTE

TU REALMENTE
Aparecido Donizetti Hernandez
27/outubro/2012 – 12h55


Minha vida atribulada e confusa,
Nela você apareceu, veio do nada,
Surgiu na luz de meus sonhos,
Materializou-se do sonho a realidade.

Materializou ou foi minha mente.
A mente nos prega peças,
Vemos o que não está,
Vezes o que está não vemos, mesmo estando!

És realmente tu ou é fruto de minha mente?
Imaginativa mente que a vê em tudo,
No real ou imaginário, somente tu vejo,
És real ou fruto de minha mente?

Minha mente não mente, és tu realmente?
Surgiu do tempo, no tempo certo,
No momento que mais precisava,
Viestes, foi me enviada,
E estás aqui hoje e para sempre

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

TEMPO

TEMPO
Aline Romariz
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Ah! O tempo...Inexorável tempo!
Tempo de olhar
com os olhos da alma
Tempo! Limitado tempo
Que apressa meus sentidos
Pára e recomeça
um ato de amor infindo
Ah! O tempo...
Que me faz perceber
que cada dia que começa
estou partindo.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

FLECHA

FLECHA
Aparecido Donizetti Hernandez
23/Outubro/2012 – 20h09
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Vago pelas matas, somente a silhueta da luminosidade do Sol consigo enxergar,
A mata lugar escuro, úmido, para quem não a conhece, até tenebroso o é.
Vago pela mata a procura de caça,
O que caçar nessa mata úmida e tenebrosa?
Essa mata é a vida, a vida úmida e tenebrosa da mente, que mente e engana.

Na tênue silhueta da luminosidade do Sol, o Sol da esperança,
Esperança não da espera, mas de esperançar, de ter objetivos.
Objetivos da caçada a qual me encontro, de encontrar a mente que não mente.
Estico o arco e arremesso a flecha pontiaguda.

Qual caça nessa ponta irei encontrar, nessa mente que mente?
Flecha da solidão da mente que não mente,
Na ponta da flecha somente encontrarei a ti,
Na minha mente que não mente.

domingo, 21 de outubro de 2012

ESTRELA CADENTE

ESTRELA CADENTE
Aparecido Donizetti Hernandez

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Minha mente acalenta dores,
Temores... angustias e sofrimento
Minha mente não separa o hoje do ontem,
minha mente têm minh’alma,
Que apura e depura as agruras.

Minha mente vaga e divaga no “desconhecido”,
minh’alma, apura e depura o conhecido,
minh’alma sabe que hei de encontrar-te,
Hei de encontrar-te entre as estrelas cadentes

Minha mente, não separa o ontem do hoje,
Mas minh’ alma sabe do hoje e do ontem,
Hei de encontrar-te entre as Estrelas,
Estrelas que estão no Céu e em minha mente,
Não serei eu o descrente, tu estas em minha mente

sábado, 20 de outubro de 2012

EPÍLOGOS

EPÍLOGOS
Gregório de Matos Guerra
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Que falta nesta cidade?....................Verdade
Que mais por sua desonra?.............. Honra
Falta mais que se lhe ponha............. Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs socrócio?...................Negócio
Quem causa tal perdição?............. Ambição
E o maior desta loucura?............... Usura.

Notável desventura
De um povo néscio, e sandeu,
Que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

Quais são os seus doces objetivos?...Pretos
Tem outros bens mais maciços?....... Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?.... Mulatos.

Dou ao demo os insensatos,
Dou ao demo a gente asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?......Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?...........Guardas
Quem as tem nos aposentos?..........Sargentos

Os cpirios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.

E que justiça a resguarda?..............Bastarda
É grátis distribuída?........................ Vendida
Que tem, que a todos assusta?....... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa,
O que El-Rei nos dá de graça,
Que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.

Que vai pela clarezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?.........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?....Unha.

Sozonada caramunha!
Enfim que na Santa Sé
o que pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.

E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os sermões?........Sermões
Não se ocupam em disputas?........Putas.

Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que  as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.

O açúcar já se acabou?.............Baixou
E o dinheiro se extinguiu?........ Subiu
Logo já convalesceu?................ Morreu.

À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, e mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.

A Câmara não acode?....................Não pode
Pois não tem todo o poder?..........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence

Que haverá que tal pense
Que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não que, não vence.



Gregório de Matos Guerra nasceu em 1633, em Salvador (BA), a qual era, naquele ano, a capital do Brasil e é tido como o primeiro poeta brasileiro. Estudou primeiramente no Colégio dos Jesuítas e se formou em Direito pela Universidade de Coimbra, cidade onde exerceu sua profissão durante alguns anos. Porém, foi obrigado a retornar à sua terra natal quando começou a ser perseguido por suas sátiras. Foi convidado a trabalhar na Companhia de Jesus, liderada pelos jesuítas, os quais apregoavam o evangelho através da literatura e teatro com temática bíblica. Nesta companhia, Gregório se tornou o tesoureiro, mas por suas sátiras ao governo foi exilado em Angola. Retornou ao Brasil por volta de 1695, porém, sob algumas condições: estava proibido de retornar ao estado da Bahia e de publicar suas sátiras. Faleceu por volta de 1696, em Recife (PE). 
Por causa de sua crítica ferina e debochada da sociedade da época através de suas sátiras, Gregório foi apelidado de “Boca do Inferno”, porém, era conhecido também por suas poesias líricas e as envolvendo conteúdo religioso, bíblico. É assim nas poesias “Reprovações” e “A Cristo S.N. crucificado estando o poeta na última hora de sua vida”, respectivamente. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ROMANCE DO PINGO D' ÁGUA

Romance do pingo d´ água
Jorge Guima
18/10/2012 – 14:38

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O pingo d´água na minha alma
Inunda meu viver em cascatas

Na imensidão aquífera do amor!

Ainda quero ver a lua na lagoa...
Como um pingo d' água, lavando a alma.
Secando o poço da ilusão...

Água doce, salobra, salgada,
água mineral, água benta, água de cheiro
Pingo d´água que inspira a alma do poeta...

Essa me consome!
Por favor, feche o registro,
Antes que eu sofra mais...



Jorge Guimarães