segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SUSPIROS AO LUAR


SUSPIROS AO LUAR
Lairton Trovão de Andrade


Noite alta, Lua clara,
sinto vozes silenciosas.
Eu jamais imaginara
que o luar cheirasse à rosas.

A saudade, em plena noite,
com serestas ao luar,
é meiguice em doce açoite,
faz o amor não se apagar.

A minh´alma estremecida
por um bem além do mar,
sonha ter boa acolhida
com sussurros ao luar.

Ah, quem dera que esta Lua
não me fosse de ilusão!
Mas que fosse a face tua,
me aquecendo o coração!

Eu seria bem feliz
se este amor me fosse eterno.
O poeta assim bem diz:
Não teria mais inverno.

Mas enquanto a solidão
traz-me árduo mal-estar,
busco amor, talvez em vão,
com SUSPIROS AO LUAR.




Lilian Regina de Andrade

NATAL


A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.
Aparecido Donizetti Hernandez





NATAL

Fernando Pessoa



O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

***







Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez
------------

Lilian Regina de Andrade

NATAL

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


NATAL

Jochen Klepper


Uma estrela, no céu, a brilhar,
boa nova traz para o mundo sem luz.
Eis que a todos vem ela anunciar
que nasceu o menino Jesus.

Surgem anjos, depois, entoando
melodias de raro esplendor.
“Glória a Deus nas alturas”, cantando,
“Paz na terra entre os homens” – amor.

Vem um grupo de reis do Oriente,
e pelo astro celeste guiado,
cada qual com seu rico presente,
adorar o menino deitado.

Uma casa não teve, nem cama...
Num estábulo foi repousar...
Mas nasceu, como a Bíblia proclama,
para o mundo perdido salvar.

***





Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez
------------

Lilian Regina de Andrade

MOINHO DE VERSOS

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.
Aparecido Donizetti Hernandez





MOINHO DE VERSOS
Paulo Leminski


Moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia.

Vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia.

***





Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez
------------

Lilian Regina de Andrade

domingo, 26 de dezembro de 2010

LUAR DA MADRUGADA

LUAR DA MADRUGADA
Aparecido Donizetti Hernandez


Hoje... Já é madrugada,
Ela não aparece
Co'a minha viola
Pra cantar nessa noite enluarada
Os versos que fiz pr'ela
Bem antes da alvorada.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CARTA DE PAPAI NOEL A JESUS

CARTA DE PAPAI NOEL A JESUS
Jesus meu grande amigo,

Eu não sei explicar, por que?
No dia do seu aniversário
Vinte cinco de dezembro, em nosso calendário
Por todos os recantos do planeta
É minha figura que aparece e não a sua
Nas casas, nas lojas na rua,
Minha foto está estampada.
Há muitos representantes da minha humilde imagem
Tão diferente de sua luminosa roupagem.
Mas... se eu puder e for merecedor
Quero ser o representante oficial do seu amor
A todos os pais aflitos que não podem dar presentes
E aqueles que choram amargurados,
Sem teto, sem chão, largados
Às agruras do tempo e sem destino.
Quero sim, cantar junto a eles o seu hino
De harmonia e de paz
Em cada lugar onde a arma
Substituiu o brinquedo
As crianças aflitas e com medo
Que presenciam o terror da guerra
Deixando sua marca de horror
Em toda Terra.
É sabido também que lhe compraz
Que eu visite os lares em euforia
Regados pelo luxo e em falsa alegria
Porque sei que eles também, são do seu rebanho
E quer dar a cada um, o ganho
Da vida verdadeira,
Onde não há ilusões e a ação primeira
É a da fraternidade, a da irmandade vivenciada
Em cada segundo que permeia a estrada.
Então, antes de sair para os lares
Quero pedir que adentre o meu coração
Para que eu entregue sua energia a cada irmão
Seja de qualquer raça, crença ou cor.
Que eu consiga dar-lhes o presente
Da Sua excelsa presença constante
Em cada átomo de vida de nossa Criação.
E junto consigo seguir no mesmo passo
Tendo por teto sua luz
Por abrigo, seu regaço,
Meu grande amigo Jesus!

13/12/2010
Cancioneiros do infinito por Marisa Cajado








quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AUSÊNCIA DE OUTRORA

AUSÊNCIA DE OUTRORA

Aparecido Donizetti Hernandez


Caminho pela estrada de areião...
Estrada de fofa areia branca.
Olho as suas margens...
Não vejo mais as verdes matas que a circundavam...
Matas que haviam na minha infância.

Caminho pela estrada de areião...
Nas suas margens não vejo mais os cafezais
Que a circundavam na minha adolescência.

Vejo em suas margens o verde,
Mas não mais o verde das matas
E dos cafezais com brancas flores.
Hoje, somente vejo o verde do canavial,
O vermelho de suas chamas
E o negro de sua fuligem.

Minha estrada de areião branca e fofa continua aqui...
Mas não mais feliz...
- Falta as matas e as flores brancas do cafezal -


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

VOOS RAZANTES

VOOS RAZANTES
Aparecido Donizetti Hernandez
08/Dezembro/2010 - 17h06


Notívago como a coruja
Que dorme o dia com olhos abertos e atentos
E à noite sai a procurar...
- Voos razantes da ave de rapina que procura à noite ...

Vivo na noite, não na boêmia à procura de ti, de bar em bar,
Vivo na noite sempre à espreita de te encontrar...
Te encontrar nas madrugadas iluminadas de minha tela,
Te ver ao longe na proximidade da luz que te projeta...
Luz que transforma a distância em proximidade
De te ver e não poder te tocar.

Boêmia noite que me embriaga com seu sorriso e seu olhar,
Viajo à noite em voos razantes na imaginação de te tocar,
Me embriagando de seu sorriso e de seu olhar.

Vem o sol a iluminar ofuscando a luz que te projeta,
Te levando de novo à distância
Que somente a noite em notívaga boêmia
Trará de novo seu olhar


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

BRISA DE AMOR

BRISA DE AMOR
Aparecido Donizetti Hernandez



Coração trancado, um castelo inexpugnável,
Não permitindo a entrada do amor.
Coração de janelas serradas - sem sol sem brisa.
"Feliz" coração na dor, sem amor.

Abri a janela do meu coração,
E como suave brisa você adentrou,
Transformando-se em furacão
E agitando todo meu corpo se instalou.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NASCIMENTO E RENASCIMENTO


A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez



NASCIMENTO E RENASCIMENTO

Gilberto Brandão Marcon



Quão fugaz é a vida,
quão passageira é esta estadia.
É como que a ardente
e etérea chama
que aquece as paixões.
Tão breve, com o tempo
parecendo fugir rapidamente.
Rápida como a agradável
e suave rajada de brisa matinal.
Beleza e brevidade
que se unem no delicado botão de flor.
De pouco adianta desprezá-la.
Em nada resolve se rebelar,
pois que já está predestinado,
em seu nascimento, o seu fim.
Um minúsculo instante
em meio ao infinito tempo da eternidade.
E, por um momento, o ilimitado
curva-se à fragilidade do limitado.
E como não sentir saudade
do tempo que já se foi?
Como não ficar ansioso
com o destino do tempo
que está por vir?
Como não confrontar
a expectativa do cotidiano
com a esperança no eterno?
Pois que no ser
se confrontam forças humanas
com energias da alma.
Pois que a arte,
no seu verdadeiro
sentido, é busca de superação.
O ser humano é um escravo de paixões
e tenta ser liberto em virtudes.
É interação entre o instinto biológico animal
e a razão lapidada do espírito.
Assim é que, entre as possibilidades,
o guerreiro há de um dia ser poeta.
As ardentes chamas
que queimam hão de ser suave calor que aquece.
A intensa e sensual paixão
há de ser suave e afetuoso amor.
Sobrevive em cada um de nós o homem,
mas quem vive de fato é a alma.
Um aguarda o fim do outro...
ou este final definitivo nunca existirá?
E então, por ter dúvidas,
desenvolvemos o pensar,
nascendo a vã filosofia.
E porque nos sensibilizamos
e sentimos, criamos acidentais poesias.
E estas se integram,
de modo que a prosa vive
a brincar com os versos.
E o verso é como que criança arteira
que vive a fugir da velha prosa.
Existem sorrisos que não têm alegria,
existem tristezas sem lágrimas,
mas o coração é franco
e no seu sentir não há lugar
para a hipocrisia.
Ele não vive por engano,
não se alimenta daquilo que é,
de fato, falso.
Assim é infeliz aquele
que é escravo das ilusões passageiras.
Vezes por ser miserável em verdade,
vezes por ser louco em razão.
Outro que é triste é o prisioneiro
das ideias formadas e inflexíveis,
pois é escasso em ações,
e também acaba por se perder
em outras ilusões.
Daí, então, concluir
que as ilusões podem ser
do pensar ou do sentir,
chegando onde se vê
um filósofo a fazer sua poesia.
Onde se encontra um poeta
a caminhar pelas trilhas da filosofia,
criando uma nova ilusão,
pois pensava-se que havia dois...
mas que de fato ambos eram
apenas o mesmo.




Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez



------------


Lilian Regina de Andrade

domingo, 10 de outubro de 2010

MEU SILÊNCIO

MEU SILÊNCIO
Aparecido Donizetti Hernandez



Em meu profundo silêncio estou pensando em ti,
Vendo-a sonolenta na cadeira,
Imagino se estás sonhando...
Sonhando com o que?...


Nesta viagem de sonho,
De seus sonhos,
Onde me encontro,
Imagino estar em seus sonhos,
Nesse túnel do tempo
Transportando a ti para longe...
Longe do meu silêncio.

Silêncio que faço
Em meus tortuosos pensamentos
Que me transporta para perto de ti,
Tentando encontrar-te nos meus sonhos,
E estar em seus sonhos...

sábado, 9 de outubro de 2010

NA PONTA DO LÁPIS

NA PONTA DO LÁPIS
Aparecido Donizetti Hernandez

Com suas mãos em minhas mãos
Desenhei as primeiras letras,
Construí as primeiras palavras,
Fiz os primeiros desenhos,
Aprendi o alfabeto,
Iniciei na gramática,
Contigo aprendi matemática,
Aprendendo a somar e a dividir os números.

Contigo conheci deuses e semideuses
Que moraram no Monte Olímpo,
Passiei em cavalos alados...

Contigo aprendi a conhecer os relevos,
As montanhas e o planalto,
A ver as estrelas e os planetas.
Aprendi o que é o nível do mar,
O que está acima do nível do mar,
Conheci a história da humanidade,
A passada e a contemporânea.

Com suas mãos a gesticular me fez pensar...
Conhecer o folclore:
Curupira, Negrinho do Pastoreiro e Salamanca do Jarau.
Contigo, a me fazer pensar, abriu-me o mundo
Nos livros que me fizestes ler, reler e sintetizar.
Contigo, nosso mundo está nas mãos
E tu os transporta ao nosso cérebro
.
Não te esqueço com suas mãos em minhas mãos,
E na ponta do lápis me ensinastes a escrever e a ler
As primeiras letras desenhadas
E as primeiras palavras construídas
Que abriu-me o mundo...
Meus Mestres!

sábado, 2 de outubro de 2010

OVOS DE ANU

OVOS DE ANU
Aparecido Donizetti Hernandez
- Prosa -

A vida no interior era boa e, ao mesmo tempo, dura: boa para a infância, onde o menino brincava com seu carro de boi feito de lata de sardinha em conserva, onde fazia dois furos, passava barbante, com gravetos furava duas pequenas laranjas ou limões sicilianos e atrelava sua junta ao seu carro de boi feito de metal.
- Deitado ao chão puxava de lá para cá seu carro de boi cheio de gravetos imitando o que via no original. Esvaziava e enchia de novo... assim passava horas e horas sob a sombra do pé de carambola, onde o chão era de areia tão fina e branca que parecia talco -
Ao mesmo tempo em que fazia sua lida imaginária olhava as jabuticabeiras em flor, a grande árvore de manga-espada florida, ouvia o cantar do canário-da-terra... ao longe chamava a atenção um bando de anus; e o menino quando não estava na lida com seu carro de boi, ia visitar os enormes ninhos e recolher seus ovos brancos que colocados às mãos ficavam azulados.
Como poderia o menino resistir em tê-los às mãos?
Com mãos habilidosas nona Amélia fazia colares: com agulha fazia dois furos nas extremidades dos ovos, com jeito e paciência para não quebrá-los, retirava clara e gema, passava linha por entre os ovos, um a um, e estava pronto o colar azul para enfeitar o pescoço do menino.
Enquanto brincava, ora de carro de boi, ora procurando ninho de canário-da-terra, acompanhando o botar dos ovos, acompanhando passo a passo o nascer de novos canários e seu desenvolvimento... às vezes, na companhia de um enorme cão chamado Gavião.
Na primavera, com as jabuticabeiras, o pé de carambola e o cafezal em flores também floresciam os capitães num lindo jardim reservado somente a eles - era o xodó de nona Amélia - , onde borboletas multi-coloridas passeavam... mas menino é menino e lá se ia de peneira às mãos caçá-las e amassar as flores de Capitão.
A brincadeira de caçar borboletas era a brincadeira condenada: nona Amélia ralhava com o menino para sair do canteiro e soltar as borboletas; ele atendia, mas cinco minutos depois, lá estava ele de novo a caçar.
Menino é menino!
O menino gostava de fazer e armar arapuca, que servia para caçar especialmente pombas do mato - naquela época era normal crianças do interior fazerem isso - ,
Mas, o que o menino mais gostava, além de brincar com seu carro de boi sob a sombra do pé de carambolas, era recolher, nos grandes ninhos, os ovos brancos de anus pela beleza de vê-los ficar azul e ver nona Amélia fazer colar. E lá se foi o menino em mais uma aventura, a subir numa enorme jabuticabeira para apanhar os ovos: os anus "grunhiam" brabos, pressentiam que boa coisa não iria acontecer. - A enorme jabuticabeira formada por dois galhos principais saindo do tronco em forma de ipsilon -. Quando o menino estava a, mais ou menos, vinte centímetros do primeiro ninho, com seu pequeno braço agarrado ao tronco, não viu a pequena taturana ao lado oposto do galho, tal como a proteger os futuros filhotes de anus, “queimando” seu braço.
Menino é menino!
E aos berros, o menino clamava por nona Amélia, que com sua sapiência agarrou a taturana matando-a, esfregando suas "tripas" ao pequeno braço do menino... e como que um bálsamo a dor se foi como um toque de magia.
Depois dessa experiência, nunca mais o menino foi pegar ovos de anus, nunca mais teve colares coloridos com os ovos azulados.
Mas... menino é menino!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SACO DE FARINHA

SACO DE FARINHA
Aparecido Donizetti Hernandez




Camisa branca feita de saco de farinha alvejado...quarado,
Embornal do mesmo pano a tira-colo,
Lá se vai o menino a caminho da escolinha da vila
Caminhando na estrada de areião com seus sonhos...
Sonhos de não precisar ir a escola com tal traje,
Que para ele era ultraje.

Lá vai o menino na estrada de areão,
Perseguindo em sua mente sem saber de seu destino,
Tracejando a estrada na espera de nada.

Lá vai o menino com seus sonhos de ter e querer
Seus planos de preferir andar à cavalo,
Caçar passarinho no ninho...
Do que ir à escola com sua camisa branca de saco de farinha,
Preferia o embornal cheio de pelotas de macaúva
Em vez do "Caminho Suave".

Lá vai o menino de dedos abertos
Repletos de bicho de pé na estrada de areão,
Com sulcos profundos feitos da roda do carro de boi...
Que ele preferia ouvir o ranjer,
Do que os ensinamentos escolares,
Lá vai o menino, com seus sonhos...





terça-feira, 28 de setembro de 2010

VEM DANÇAR COMIGO!

VEM DANÇAR COMIGO!
Socorro Lima Dantas



Vem dançar comigo amor,
vem reviver a nossa paixão,
fitar o horizonte,
sem pensar no que passou.
Vem amor,
dançar a nossa canção
que o tempo não apagou,
deixou marcas profundas !
e eu não consigo mais ouvi-la,
sem lembrar nossos momentos,
tão cheios de ternura.
Nosso afago, repleto de significados,
que nós dois, somente nós dois...
naquele salão... naquela penumbra...
e apenas o brilho do teu olhar
a iluminar o meu,
segredamos o nosso amor !

terça-feira, 21 de setembro de 2010

INGRATIDÃO

INGRATIDÃO
Aparecido Donizetti Hernandez




Não convivas com a ingratidão,
Se fizeres sempre algo
Para ajudar a outrem
Não espere o reconhecimento de seus atos,
Sejas altruísta, isso a ti sempre contará...

Não esperes a gratidão
Como reconhecimento de tais atos,
Espere, somente, que a ti
Seus atos o deixará em Paz.

Se a ingratidão for a única resposta a seus atos,
Entenda que há os sugadores da benevolência alheia,
Que somente aos ingratos faz mal
Não lhes dando a Paz que tu encontras
Em seus atos de benevolência e amor.
Tu que pregas a Paz,
Pratique-a em todos os seus grandes e pequenos atos

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

II ENCONTRO PAULISTA POETAS DEL MUNDO

Queridos(as) amigos(as)

Poetas e Poetizas


Em virtude da dificuldade de muitos poetas em inscrever-se, abolimos nossa taxa de inscrição de R$30,00.

O evento se dará em um só dia conforme a programação abaixo. Contamos com todos e aqueles poetas que quiserem participar do debate comuniquem se conosco.

As inscrições deverão ser feitas enviando um e-mail para
marcaspoeticas@gmail.com

Assunto: INSCRIÇÃO ENCONTRO PAULISTA






Dia 25/09/2010


9:00 – 10:15 – Recepção, com Luli Coutinho entrega de crachas
10:15 – 10:30 – Abertura do evento por Marisa Cajado, Cônsul para o Estado de São Paulo.

10:30 – 11:30 – Composição da mesa

11:30 – 12:15 - Debate sobre:
A posição do poeta na sociedade
O mercado editorial e a publicação da poesia

12:20 – 14:00 Pausa para almoço (Almoço livre mas estamos vendo um restaurante que nos dará descontos)
14:00h – Apresentação de Luli Coutinho, Cônsul da Cidade de São Paulo.

14:15 as 17:00h Grande sarau direcionado com show e apresentação dos poetas presentes
17:00h as 18:00h Encerramento e fotos

Quem quiser doar livros e CDs para serem SORTEADOS, ficaremos muito agradecidos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A 'ARCAH' DO TEMPO

A “ARCAH” DO TEMPO
Aparecido Donizetti Hernandez


Conheci Hanna nas viagens pela "nau" da internet. E quantas coincidências: tínhamos os mesmos sentimentos; cruzamos, sem saber, as mesmas esperanças de viajarmos no tempo.
Na verdade, imaginávamos mesmo antes de nos conhecermos, termos estado em outros lugares, em outros momentos, onde corríamos juntos aos campos de girassóis da antiga Rússia dos Czares.
Imaginávamos antes mesmo de nos conhecermos ter caminhado na gélida retirada das tropas de Napoleão.
Tínhamos combatido a invasão dos Cristãos contra os Mouros, dançado sob o som de violinos nos acampamentos ciganos, divertido-nos em nossa tenda.
Viajamos juntos às profundezas, onde nos conhecemos ainda na formação da Terra, vindo de outra Galáxia nas curvas de tempo.
Caminhamos na tênue linha que separa a loucura da razão, enfrentamos juntos a incompreensão de estarmos em outro tempo... e estivemos juntos na fogueira da Inquisição.
Nessas viagens cavalgamos junto com Zeus em unicórnios alados, mas nunca estivemos nas festas de Baco.
Mas, nem em todas as viagens estava eu e Hanna, ela sempre foi mais propensa à viagens furtivas para conhecer outros tempos: esteve ao Templo do Rei Salomão, caminhou ao leito do Mar Vermelho, deu conselho à Moisés e sentiu o calor da ira de Deus.
Onde estava eu enquanto Hanna viajava pelo tempo?
Quando Hanna viajava sem mim, ficava preso numa gaiola dourada, como uma harpia encantada.
Essas viagens que, ainda, "arcah" em meus pensamentos, transmutando os sentimentos de continuarmos juntos às viagens no tempo. Estando juntos quase todo tempo, Transportamos as primeiras pedras à construção de Machu Picchu; vimos as virgens serem jogadas ao sacrifício.
Estávamos eu e Hanna às celebrações Incas; tomamos chocolate em taça de ouro; reverenciamos o deus Sol e cultivamos no Oriente.
Vimos Genghis Khan ser coroado imperador, participamos de seu glorioso Império e vimos sua decadência.
Viajando na relatividade do tempo, estávamos a ver as nebulosas na Via Láctea a se formarem; estivemos em Alpha Centauro e nunca nos perdemos no espaço.
Vimos juntos os anéis de Saturno se formar e planetas desaparecerem, engolidos pelos buracos negros.
Encontramos outros seres em estado evolutivo, mais adiantados que os Homens que controlam o tempo... Tempo que num só momento transporta todos os nossos sentimentos transmutando nosso corpo pelo universo. - Tempo que nunca mais me deixas trancado numa gaiola enquanto tu viajas só pelo tempo - onde eu e Hanna num só pensamento nos transportamos às viagens que somente o pensamento pode controlar o tempo, que na sua relatividade construímos nosso conhecimento da força desse momento, que cruzamos os nossos momentos nessa linha da viagem que faremos amanhã na construção do nosso tempo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

DESTERRO

DESTERRO
Aparecido Donizetti Hernandez



Nuvem de desespero nesse desterro
Onde não molho meus pés
Nas águas do mar de minha terra.

Não vejo mais as serras...
Desterro que tirastes de mim
A beleza de ver meus amores
Ensejados na lavra do ouro
Que corre junto co'a areia
Na corrente das águas...

Desterro que não permite mais
Ver as casas de Vila Rica,
Minha Igreja
E a beira dos córregos repleta de gente
Em busca de riquezas...
Em esperança de deixar essa terra
Que hoje sem ver as serras, sei que jamais a deixaria!

Desterro que hoje somente savanas vejo
Com sua fauna que nada lembra minhas matas
E onde não há capivara e lobo-guará.

Morrerei sem revê-la,
Mas um dia meu corpo voltará a tocá-la,
Mesmo que seja sem vida
- Lá não serei esquecido, por lá ter nascido! -

Hoje meu corpo vaga pelas savanas,
Meus pensamentos vagam pelas serras da minha terra,
Donde os rios em seu leito
Carregam o ouro amarelo como o sol que queima essa terra.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

BUSCA DA FELICIDADE

BUSCA DA FELICIDADE
Aparecido Donizetti Hernandez
07/Setembro/2010 – 15h03




Buscamos a felicidade...
Qual felicidade?
A felicidade que está relacionada ao que os outros vêem,
Ou a felicidade de encontrarmos a paz interior?!
Onde o que importa é o que interiormente sentimos e os outros não vêem...

Qual o sentido da felicidade?...
São os amores, as dores, as algemas que criamos em nós mesmos
Atribuindo a outrem nossas decepções e angústias...
O que é a felicidade?!
É estarmos em paz
Ou os outros acharem que estamos em paz?...

A felicidade é a busca constante do aperfeiçoamento dos amores,
A realização da sua própria divindade
É conseguir não sucumbir às pequenas e grandes tentações...
Tentações de encontrar a felicidade na infelicidade de vossos irmãos.
Não podes esquecer que Deus fez de seu filho Homem,
Que tentações teve, e usando de seu livre arbítrio, conseguiu não sucumbí-las.

A felicidade está dentro de ti,
Onde vossa realização somente é possível dentro da realização maior,
É a realização de sua paz, da minha paz, de nossa paz,
Que se encontra dentro de ti, dentro de mim, dentro de nós...
Estamos em paz!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

NOSSA RETINA

NOSSA RETINA
Aparecido Donizetti Hernandez



Pelo que passamos juntos,
Não há o controle do tempo,
As nuvens que encobrem o sol
Não encobrem sua luz,
Não turvam o esplendor de seus raios
E o calor que irradia.

O tempo que temos juntos
Não é controlado pelos ponteiros do relógio,
Que delimita e tenta ser o controle do tempo.
O tempo que estamos juntos é o que nossas retinas
Guardam e guardarão por todos os tempos...

Juntos somos como os raios do Sol,
Sua esplendorosa luminosidade,
Não como as nuvens que tentam
Sem poder ofuscar esse brilho,
Brilho que o relógio do tempo
Transporta pela eternidade
E viverá por todos os tempos...

domingo, 15 de agosto de 2010

MORRO DO ITAQUI

MORRO DO ITAQUI
Aparecidfo Donizetti Hernandez


Do alto do Itaqui avisto a parada de trem
Com seus vagões transportando café,
Trilhos que margeiam o Rio Barueri Mirim,
Que recebe as águas do Sapiantã,
Juntos indo ao Rio Tietê,
De rumo inverso ao caminho dos trens que vão direto à procura do mar.

Do alto do Itaqui avisto as árvores da Mata Atlântica com sua biodiversidade,
E ouço o cantar dos pássaros...
Avisto a Casa Bandeirantista no alto da colina,
Circundada pela mata, ainda intacta,
Vejo do alto do Itaqui a transformação
Da antiga pedreira, que calçaram as ruas da Paulicéia
em um conjunto habitacional...
Vejo do Itaqui as casas surgirem como um passe de mágica,
Mudando a paisagem, derrubando a mata, poluindo os rios, calando os passáros...

Não vejo mais do alto do Itaqui os trens transportando café,
Agora transportam pessoas que vêm e vão à procura do pão,
E do vagão olham para o lado do Itaqui, mas ele não está mais ali,
Para onde levam o Morro do Itaqui?...Que não está mais aqui.

ESCUTA MEU AMOR


ESCUTA MEU AMOR
Socorro Lima Dantas


Não sei por que,
ao teu lado ainda estou,
se estás sempre a me entristecer.
Parece até que eu desejo
este amor assim viver...
ter você controlando o meu querer.

Não sei por que,
Demonstras estar realizado,
em fazer o meu coração padecer,
ver em meus olhos,
lágrimas de angústia a derramar.

Não sei por que,
Sentes prazer, em indecisão me ver,
arrastando-me para sobreviver,
e a resistência do meu coração,
em controlar as emoções.

Não sei por que,
insisto nesta dor permanecer,
acorrentada a um amor
que não me deixa viver,
manda em meu querer
e só me faz sofrer.

NÃO SEI PORQUE...

NÃO SEI PORQUE...
Socorro Lima Dantas



Não sei por que,
ao teu lado ainda estou,
se estás sempre a me entristecer.
Parece até que eu desejo
este amor assim viver...
ter você controlando o meu querer.

Não sei por que,
Demonstras estar realizado,
em fazer o meu coração padecer,
ver em meus olhos,
lágrimas de angústia a derramar.

Não sei por que,
Sentes prazer, em indecisão me ver,
arrastando-me para sobreviver,
e a resistência do meu coração,
em controlar as emoções.

Não sei por que,
insisto nesta dor permanecer,
acorrentada a um amor
que não me deixa viver,
manda em meu querer
e só me faz sofrer.

A PONTE DO AMOR ENCANTADO

A Ponte do Amor Encantado
Teka Nascimento



Aquela linda ponte que foi construída
alicerçada em doces emoções de amor
Estava linda e concluída
Sendo usada com muito carinho.
Mas fortes vendavais sopraram
com tanto vigor, que esta ponte
encantada balançou.
Neste balançar algumas marcas deixou.
Mas ela é forte pois bem construída foi.
Não se quebrou, é porque os amantes apaixonados
deixaram nela gravada a marca da história desse amor.
Hoje os amantes estão assustados
Com esse vendaval arrebatador
Cada um de um lado da ponte
chorando de tristeza e dor.
E a ponte encantada lá está,
esperando para ser consertada
Só depende desses amantes apaixonados
Para gravar um novo conto de amor.

L.Pta.14/08/2010






PRESENÇA DA AUSÊNCIA

PRESENÇA DA AUSÊNCIA
Dueto
Claudete Silveira / JJ( João Braga Neto)



É possível estar ausente,
estando o corpo presente?
Depende infelizmente
dos sentimentos da gente!

Ausência da tua presença,
ou presença da tua ausência?
As duas levam a loucura,
À insanidade , demência!

Ausentava-me na tua presença,
e presenciava a tua ausência.
A primeira me doía;
na outra não tenho crença!

Ausência na presença
Presença na ausência
Distância da proximidade

Nesse paradoxo, vivo;
Estar só,
Pra estar contigo!


IMPREVISÃO

IMPREVISÃO
Basilina Pereira



Na frente do espelho conspiramos:
a imagem do outro lado nada revela.
A dor, se menor que o dia, resvala
por entre as raízes do silêncio
e a alegria que desprende da luz
embarca no carrossel de incertezas.
O rosto, casulo de enigma,
preserva o direito de sonhar:
que as utopias todas
escapam à previsão do tempo.

AUSÊNCIAS E MEDOS

AUSÊNCIAS E MEDOS
Claudete Silveira



Teu medo
te faz refém
da indecisão.
Não te deixa
dar vazão
aos sentimentos
Afasta-te de mim.

Ausência aproximada
Presença se faz assim.
O teu silêncio
me angustia,
não sei mais
viver o dia a dia.
Tua presença
faz parte
da ausência
existente em mim.

Silêncio e abandono
tristezas
angústias
que me tiram o sono.

AUSÊNCIAS E MEDOS

Teu medo
te faz refém
da indecisão.
Não te deixa
dar vazão
aos sentimentos
Afasta-te de mim.

Ausência aproximada
Presença se faz assim.
O teu silêncio
me angustia,
não sei mais
viver o dia a dia.
Tua presença
faz parte
da ausência
existente em mim.

Silêncio e abandono
tristezas
angústias
que me tiram o sono.


2009

OUTRA

°°◊◊◊°°◊◊◊°°◊◊◊°°◊◊◊°°
OUTRA
Clau Assi



Trago em mim,
de algum passado
uma luz no olhar.
Carrego no peito
sonhos de amor,
que o tempo preservou.
Continua em mim,
em tempos modernos,
a mulher sonhadora.
Outro corpo
...mesma alma.


°°◊◊◊°°◊◊◊°°◊◊◊°°◊◊◊°°

SE VOCÊ PUDESSE...

SE VOCÊ PUDESSE...
Claudete Silveira




Ah! Se você pudesse compreender...
...meus pensamentos ler
entender meus sentimentos
...em meus sonhos entrar
e neles se ver...
Ah! Se você pudesse...
Certamente saberia
A razão do meu viver...

TEMPESTADE DE AMOR

TEMPESTADE DE AMOR
Aparecido Donizetti Herrnandez




Venta em minha vida a esperança,
A esperança de a vida ser melhor,
Um mundo onde os encontros não virem desencontros...
A Vida seja onde o ser humano
Acabe sendo um o complemento do outro,
Um mundo onde todos tenhamos
O pouco que seja o muito, pois é o suficiente.


Venta em minha vida a necessidade de acreditar,
Que o amanha seja hoje,
Que possamos ter todos
Uma tempestade de amor, carinho e solidaridade.
Esse mundo construiremos hoje, na esperança do sempre...


terça-feira, 10 de agosto de 2010

TEUS OLHOS

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


TEUS OLHOS
Lairton Trovão de Andrade




Que doce expressão!
Olhar sem malícia,
Colírio dos olhos,
Amor e carícia.

Teus olhos são lindos,
Tem puro fulgor,
São cheios de vida,
Traduzem amor.

O amor dos teus olhos,
Tão meigo e tão puro,
É o sonho dos sonhos,
Meu porto seguro.

Se rola uma lágrima,
Eu sinto tua dor;
Recolho-a na alma
Por causa do amor.

Se tenho eu angústia,
Se sofro de tédio,
Procuro teus olhos,
Pra ter meu remédio.

Que doce expressão!
Olhar sem malícia,
Colírio dos olhos,
Amor e carícia.

Mas quanto sofreram
Teus olhos, querida,
E quantas injúrias
Já viram na vida.

Já foram bem tristes.
Sem vida e calor;
Agora estão vivos
- Milagre do amor.

Que cor tem teus olhos?
São claros, escuros?
- A cor é segredo
Segredo, eu te juro!

Embora distante
Em meio ao pavor,
Eu penso em teus olhos
E vivo de amor.

Que doce expressão!
Olhar sem malícia!
Colírio dos olhos
Amor e carícia.







Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

QUERO-TE ASSIM...

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


QUERO-TE ASSIM...
Elisabeth Assad

Quero a primavera, onde brotam flores,
onde borboletas bailam,
e andorinhas anunciam o entardecer
que se aproxima.

Quero poder ouvir o canto dos
pássaros, que em sintonia,
a ti receberia, diante desse jardim.

Quero o brilho do sol das manhãs, o
sorriso da criança inocente, e um amor amigo.

Quero poder oferecer a ti, tudo
que um dia sonhei para mim.

Quero amar-te, como a mim mesma,
e nenhum mal deixar te atingir


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

PROCURA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


PROCURA
Valdir Merege Rodrigues





Na procura louca e apesar de dura
Encontrei você. Não sei por que,
Pensei ter sido o amor tão procurado!
Vão pensamento tolo derramado,
Esparramado sobre o solo da vida
De muitas e tantas procuras...

Pensei, imaginei ser o seu esperado,
Achado por tanto tempo sonhado.
Como assim eu fizera por vezes acordado
Em madrugadas frias na coexistência
Do ser e querer, ter e poder ser amado...
- Era só eu e mais ninguém!

Mas, a procura era única e só minha.
Inverti os fatos e as fotos da existência
Que vivemos revelaram-se amargo fel
E na fotografia tão fria da existência,
Compus o retrato abstrato do meu achado...
- Um terrível vazio!


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

O LAÇO DE FITA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez



O LAÇO DE FITA
Castro Alves



Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.


Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.


Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.


E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!


Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.


Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.


Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.


Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

VIA LÁCTEA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


VIA LÁCTEA
Soneto XIII
Olavo Bilac




"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".







Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez

------------

Lilian Regina de Andrade

DEVEMOS ACREDITAR NO HOMEM?


DEVEMOS ACREDITAR NO HOMEM?
Aparecido Donizetti Hernandez



Como acreditar no Homem...
A história da Humanidade está repleta de revoluções e conflitos,
Conflitos de interesses e de poder do homem sobre o homem,
Conflitos onde os vencedores impõem seus interesses e suas idéias sobre os vencidos,
Onde os vencedores impõem até sua cultura e suas crenças.
Mas essa não é a essência da natureza humana,
O Homem não foi feito para cultivar a indiferença sobre os outros seres humanos,
Não é ter a arrogância e o controle sobre outros,
A essência do Homem é a solidariedade e o trabalho coletivo e o progresso mútuo.
O homem criou as diferenças entre eles e cultivando o personalismo,
Acredita que somente ele tem o direito sobre a Terra,
Mas a Terra foi construída para ser compartilhada
Por homens de diferentes pensamentos,
Pelo menor ser vivo, mesmo microscópico.
A Terra e os Homens foram criados um para ser complemento do outro,
A essência do Homem está nos ensinamentos de Cristo,
Que pregou e nos ensinou em suas parábolas o amor e a compreensão,
Entre todos os homens
E o repeito pelos outros seres viventes de nosso planeta.
Sua essência está aí dentro de ti,
Com um pequeno esforço podes deixar que ela aflore
E se imponha sobre a arrogância, a prepotência e o individualismo,
Transformando-se, vós também tranformará a vida,
E teremos um mundo mais bonito e solidário.

A SEMENTE

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.



Aparecido Donizetti Hernandez





A SEMENTE
Alba Albarello


Semente,
Que produz e cresce
Acolhendo,
Quem plantou o bem.
A minúscula
Semente
Linda flor
Do amanhã.
Espalhar com amor,
Como se estivesse
Dando,
O próprio coração.
O sangue a regará,
Onde Deus semeou amor,
Se o grão resistir, abaixo da terra,
Pacíficas em teus campos.
Ao vento e a chuva,
Recebendo o que o
Outro dará,
A alegria de crescer com amor.
Se o grão resistir
Doando mais vidas,
Terá o vigor,
A força e fecundar o chão.
Que ao despertar germina,
Semente, grão,
Nascer botão,
Da retidão.
Vou multiplicar,
Com as recordações
Do meu passado, semeando,
A expectativa generosa da serenidade.




Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez



------------

Lilian Regina de Andrade

sábado, 7 de agosto de 2010

MEU VELHO


MEU VELHO
Aparecido Donizetti Hernandez




Nascestes em Jahú,
Filho de migrantes espanhóis,
Muitos irmãos e irmãs,
Todos lavradores da terra.

Por que?
Por que deixastes os lindos cafezais no Oeste Paulista?
Abandonando sua enxada,
Seu rastelo,
Sua peneira sob a saia do pé de café...
Rumo a Capital?

Para transformar-se em operário?
Para se encontrar?
Por que deixastes os lindos cafezais paulista?
Deixastes a roça...
Mas não deixastes para trás
A linda e meiga Rosalina,
Arrastastes contigo,
Para uma nova vida
Ou para uma ilusão.

Viestes, mas trouxestes junto
Os conceitos pré-estabelecidos
De patriarca,
Quantas fábricas trabalhastes,
Quantas fábricas!

E a meiga e doce Rosalina,
Quantas trouxas, quantos fardos de roupas
Trouxe sobre a cabeça!
Quantas noites e madrugadas
Sentada à beira da máquina de costura,
Quantos dias...

Transformaram-se de lavradores em operários
Valeu à pena?
Valeu à pena!
Construístes uma família,
Vivendo foi rompendo
Os preconceitos e criando outros conceitos.
Deixou as fábricas antes que querias,
Como trabalhou, como trabalhou!
Viveu como pode,
Fostes como querias...


À beira da lagoa, com sua vara de pescar às mãos...
Agora pesca almas, almas para o Senhor!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FRENTE A FRENTE

Frente a Frente.
Delasnieve Daspet



Eis-nos. Frente a frente.
O mundo é redondo.
Um dia poderia acontecer.

Te fitei de longe.
Ao teu lado, em teus braços,
outros braços, não os meus;
Outro corpo, não eu!

Até este momento não tinha me dado conta
de como é desconcertante olhar alguém
que que já havia sido paixão.

Estavas bem à minha frente
- alheio a minha pessoa -
sem perceber minha emoção.

E eu te adivinhava.
Teus pensamentos. Teus gostos.
Teu cheiro. Teu hálito.
Tiques.... sabia tudo de ti!

Eis-nos!
Tu, eu e ela.
A uma curta distância,
tão longe e tão perto.
Tudo em ti ocupado:
o coração e o lugar ao lado!

Sempre pressenti que nada havia
mas pensei que poderia mudar
o curso da história.

Continuei fitando sem ver...
Buscava respostas que não existiam:
Porque não tinha dado certo?
Porque - nuvens negras?
Porque - o impedimento?
Porque - a indiferença?

Te encontrar fez-me recordar
das saudades e do querer - outra vez....
Vi que os fantasmas ainda estão insepultos!
...Talvez não tenha havido um grande amor....
DD_ 28-07-03 - Campo Grande MS

AZUL NA POESIA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.


Aparecido Donizetti Hernandez


AZUL NA POESIA
Úrsula Avner




Em versos mudos
destravei algemas
Silêncio preso
virou colibri
Cauda longa de espátulas azuis
trêmula ao vento da imaginação



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

BEIJO-TE

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


BEIJO-TE
Efigênia Coutinho



Ó tu que meus beijos queres, indaga
ao beija-flor, não poupa este desejo
pergunta se ele beija só flores rosa,
ele dirá que beija a mulher mais formosa!

O poeta que me beija, não por razão pouca
beija o néctar da rosa por ser sua sina,
Pois dar-te-ei o amor de que desejas
duma rosa, alma gêmea, rainha e sina!

Entoemos este vigor do Amar
sentindo gula e gana de sonhar
sem temor, saboreando a idéia...

Poeta sabe e sente o Amor
em sua mente e dentro do coração
jogo ardente espargido outra cor!


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

ENTRELINHAS

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


ENTRELINHAS
Lígia Antunes Leivas




Na insensatez dos conceitos
emergem desejos...
Quebra-se o elo:
desequilibra-se o universo.

A expectativa antessonha auroras
neste querer maior
de peles de veludo unidas
no desenho de nós mesmos.

Na hora cálida da tarde
atiçam-se todas as luzes...
Um pouco de mim, de ti, de nós
e a explosão de todos os sentidos.

Cada espaço traz a medida certa
... um oceano cresce entre nossas vidas
e nesta separação entre desenganos
descubro-me atônita!

Olhos ao longe (tão longínqua distância!...)
Sou voz perdida, sou desterro
sou muito menos agora
que as entrelinhas desde poema...


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

A DANÇA DAS FLORES

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.


Aparecido Donizetti Hernandez



A DANÇA DAS FLORES
Gilberto Brandão Marcon


Flor do jardim,
flor que deveria
ser da primavera,
mas que preferiu
enganar as estações.
Leve flor carregada
pelo vento.
E nele desliza
como que em
delicada dança,
Flor que teve por par a brisa.
Brisa que acalmou o vento,
do som que se escondia no silêncio,
dos segredos que, embora ditos,
somente foram ouvidos
pelos que tinham ouvidos de ouvir,
pois que escutavam
com a alma,
pois que conheciam
os caminhos do coração.
Flor que é
delicadeza no botão,
e esplendor
no seu momento mágico.
Flor que decora
o circo da vida,
onde os pecados
convivem com as virtudes,
onde o perdão os liberta,
e os transforma
em sementes renovadas



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

CELEBRO A VIDA E AGRADEÇO A DEUS


CELEBRO A VIDA
E
AGRADEÇO A DEUS
Tânia Sueli Oliveira



A vida é a coisa mais linda,
que nos proporciona emoções diversas,
alegres ou tristes,
docinhas ou azedas,
cor-de-rosas ou cinzas!

Não importa e nem incomoda
nada que tente atrapalhar
nossos caminhos...
se tivermos Jesus no coração
e acreditarmos no melhor sempre !

Quem tem fé, não teme !
Quem age com o coração, amor,
vencerá sempre !!!

Não percamos as esperanças
e jamais deixemos de sonhar !
São tantos os conflitos, espinhos...
que surgem cada dia,
apenas nos dando forças
pra seguirmos com coragem
e convicção de que venceremos !!!

Vitórias somente com Deus e Jesus!
***
Marília-SP/Brasil

http://oamornaopodeacabar.blog.terra.com.br/

ORVALHO

ORVALHO
Aparecido Donizetti Hernandez
04/Agosto/2010 - 15h49


Nessa noite fria que te espero
Vem a esperança de te ver como antes,
Como antes de perderes a ingenuidade...
Nessa noite fria cai o orvalho
Esbranquiçando os campos,
Campos que quando raiar o Sol
Refletirá a luz em suas gotículas,
E verei em cada uma seu rosto a refletir a saudade,
A saudade dos tempos que corríamos
À procura de uma vida sem dissabores...
Onde reencontrarei aquela antiga ingenuidade que tínhamos,
Como se os campos eram o nosso mundo,
Mundo que deixamos o Sol queimar, como queima as folhas
Molhadas do orvalho que o sereno deixou...

ABISMAL


A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez




ABISMAL
Helena Kolody



Meus olhos estão olhando
De muito longe, de muito longe,
Das infinitas distâncias
Dos abismos interiores.
Meus olhos estão a olhar do extremo longínquo`
Para você que está diante de mim.
Se eu estendesse a mão, tocaria a sua face.



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


------------

Lilian Regina de Andrade

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O AMOR

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


O AMOR
Lucas Lira


Quem é ele?
Onde ele está?
Ele não tem forma,
Nem tem padrão...
Onde ele está escondido então?

Deixe-me vê-lo por um segundo,
Para eu poder ser
Maior que o mundo;
Se eu for,
Se eu tiver todo o universo,
Mas não tiver você,
Quem eu serei?
Ninguém.
Onde eu estarei?
Estarei aqui
E em nenhum lugar também.

Quanto mais me atrevo a chegar perto dele,
Menos o entendo.
E aí me pergunto
Me pergunto por que ainda tento?
Me pergunto por que não me contento?
Me pergunto por que quero viver?

E o porquê vos lhes digo:
Eu simplesmente quero viver,
Porque eu adoro morrer.




Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez

------------



Lilian Regina de Andrade

SUAVE AMOR

SUAVE AMOR
Aparecido Donizetti Hernandez




Levemente instalastes nos rumos da vida,
Instantaneamente como a
Lua que surge quando o Sol se põe.
Impulsivamente como acontece o
Amor, em um segundo como o vento leva às
Nuvens.


Ruidosamente como o vendaval, você me
Enloquece, tirando de mim os
Gemidos da minha
Intranquila dor, levando-me a
Navegar nas
Águas tranquilas do amor...


Amor de tranquilo ardor,onde
Navego
Diuturnamente meus sonhos
Rudes de angústias de nosso
Amor.
Dilacerando o meu coração, mantendo a
Esperança de viver sem dor.

JEITO DE MATO

JEITO DE MATO
Composição: Paula Fernandes




De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, a tua senda onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história,
Fogo que queima na memória e acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar...

HARMONIA

Harmonia

Delasnieve Daspet



Entre as nuvens espalhadas pelo tempo
Pequenas estrelas salpicam o firmamento...
Chega a noite.

Descerro o véu da memória,
Já não recordo as mágoas,
Contemplo a harmonia do dia
Cheio de sol.

Ao longe – o firmamento se junta ao cerrado,
O céu nas cores infinitas do crepúsculo,
Se une a verdura de nossas matas.

Ipês floridos,
Mesclam de suave tonalidade,
A paisagem recortada no horizonte,
Pelos traços da natureza.
Aqui, encontro a plenitude!

Nos campos cultivados,
Nos chapéus de palha,
Nos odores,
No peão de pele crestada,
Do gado pastando,
O bambu choroso a cada carícia do vento...
Aqui, é o reino da paz!

Os pássaros melodiosos, em sinfonia,
Calam em meu ser.

Circula em minhas veias,
Irmanados aos ventos, às águas, ao sol, aos animais,
Um cântico de graças ao Criador!
DD_Campo Grande-MS 9.02.10