sexta-feira, 30 de setembro de 2011

AMÉRICA

AMÉRICA



Acorda pátria e vê que é pesadelo
O sonho de ignomínia que sonha!




                            Tomáz Ribeiro



CASTRO ALVES
Recife – 1865


À tépida sobra das matas gigantes,
Da América ardente nos pampas do Sul,
Ao canto dos ventos nas palmas brilhantes,
À luz transparente de um céu todo azul.

A filha das matas – cabocla morena –
Se inclina indolente sonhando talvez!
A fronte nos Andes reclina serena,
E o Atlentico humilde se estende a seus pés,

As brisas dos serros ainda lhe ondulam
Nas plumas vermelhas do arco de avós,
Lembrando o passado seus seios pululam,
Se a onça ligeira buliu nos cipós,


São vagas lembranças de um tempo que teve...
Palpita-lhe o seio por sob a luz da cruz.
E em cisma doirada – qual graça de neve –
Sua Alma resolve-se em ondas de luz.


Embalam-lhe os sonhos, na tarde saudosa,
Os cheiros agrestes do vasto sertão,
E a triste araponga que geme chorosa
E a voz dos tropeiros em terna canção.


Se o gênio da noite no espaço flutua,
Que negros mistérios a selva contém!
Se a ilha de prata, se a pálida lua
Clareia o levante, que amores não tem!


Parece que os astros são anjos pendidos
Das frouxas neblinas da abóboda azul,
Que miram, que adoram ardentes, perdidos
A filha morena dos pampas do Sul.


Se aponta a alvorada por entre as cascatas,
Que estrelas no orvalho que a noite verteu!
As flores são aves que pousam nas matas,
As aves são flores que voam no céu!

Ó pátria, desperta... Não curves a fronte
Que enxuga-te os prantos o Sol do Equador.
Não miras na fímbria do vasto horizonte
A lua da alvorada de um dia melhor?


Já falta tem pouco. Sacode a cadeia
Que chamam riquezas... que nódoas te são!
Não manches a folha de tua epopéia
No sangue do escravo, no imundo balcão.

Sê pobre, que importa? Sê livre...és gigante,
Bem como os condores dos píncaros teus!
Arranca este peso das costas do Atlante,
Levanta o madeiro dos ombros de Deus.



Recife, junho de 1865





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A NOIVA - Folclore

[...]  Em São Paulo existe um jogo cênico – “A Noiva” – popular principalmente entre meninas – que mostra dificuldades que aparecem quando se procura determinar as fontes mediatas de nosso folclore, relativamente ao folclore de Portugal e da Espanha, e a vantagem do uso daquela expressão neutra e valiosa como instrumento de trabalho. Esse jogo cênico é fragmento de um dos “romances velhos” mais conhecidos do folclore ibérico, e entre nós está, atualmente, suficientemente truncado para ainda conservar sentido leigo. Ei-lo, tal como o recolhi no Bom Retiro (personagens: o noivo e a noiva). [...]



Florestan Fernandes: Folclore e mudança social na cidade de São Paulo – 1979.


O noivo - Ia andando por um caminho
Uma sobra me acompanhou,
Tanto mais me retirava,
Ela vinha ao pé de mim,
Tanto mais me retirava,
Ela vinha ao pé de mim.

A noiva - Não te assuste, meu senhor,
Não se assuste tanto assim,
Porque eu sou a sua noiva
Que há sete anos o não via.

O noivo - Minha noiva já não existe
Minha noiva já morreu,
O caixão que ela levava
Era de ouro e marfim;
O vestido que ela vestia
Era todo de cetim.

SANTA CATARIA


A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

 
Aparecido Donizetti Hernandez



SANTA CATARINA



La na cidade de Roma
Houve um tempo uma donzela
Catarina se chamava;
Seu pai era perro moiro,
Sua mãe arrenegada.


Logo pela manhãzinha
Seu pai atormentava
Pra deixar a lei divina
E a da Moirama tomar


- Não posso ter outra lei
  Com Jesus estou desposada.

  Ao ouvir tal desengano
 Seu pai mandou fazer
Uma roda de navalhas,
Todas muito bem afiadas,
Meteu dentro um grande lobo
A ver se a roda rodava.

Começou a roda a rodar
E o lobo ao meio cortou,
Meteu dentro Catarina



Florestan Fernandes – Folclore e mudança social na cidade de são Paulo – 1979
                                   1979, editora vozes – Petrópolis -RJ




Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez
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Idéia Original: Lilian Regina de Andrade

Formatação : Aparecido Donizetti Hernandez










sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ELA EM MIM

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


Ela em mim
Antonio Bergonha


Tua face lembra-me as belezas matinais do campo
... Teu sorriso lembram-me as estrelas do firmamento
Teus olhos lembram-me o sol da primavera
Teu corpo lembra-me a candura do toque em sua pele


Não a conheço... mas lembro-me de ti
Não a experimentei... mas sinto o teu perfume
Não a beijei... mas sinto o teu gosto de orvalho
Não a vejo... mas encontro-te na memória


Moça, porque tiras a minha paz?
Porque me perturbas se não a conheço?
Atraído por ti deixaste-me
Percebo teus mistérios .... sem mesmo conhecer-te.





Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Formatação : Aparecido Donizetti Hernandez


Idéia Original: Lilian Regina de Andrade
























quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MATAMORFOSE

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez



METAMORFOSE
- REFLEXÕES -

Aparecido Donizetti Hernandez




Durante a nossa existência as experiências por nós vividas formam o que podemos chamar de conceitos culturais, onde a formação de nosso caráter humano é o conjunto do que vivenciamos e os exemplos que temos; em especial, de nossos familiares e amigos que temos como referência.


A máxima sempre dita “Dizes com quem andas que direis que és”, não se aplica à formação de caráter e de atos do ser humano; (Lembrem-se Judas andava com Cristo e Pedro também - o primeiro o traiu e o segundo, o renegou) porque a atitude e as ações de indivíduos não se têm somente em uma única experiência, mas em muitas expiações.


Conheci pessoas que apesar de uma educação tanto de bons exemplos familiares, quanto em uma relação sócio cultural de “alto nível” ter a maldade e a mesquinhez como prática cotidiana, reforçada ainda por todo tipo de pré-conceitos, e conheci pessoas que apesar de uma origem simples sem muita educação formal e pouco acesso à informações, a não ser de seu pequeno e localizado mundo, com uma bondade e altivez, e uma profunda visão humana, de respeito à diversidade, que com toda certeza surpreenderia qualquer estudioso e antropólogo.


O ser humano não tem a capacidade da metamorfose, mas tem a capacidade com seu livre arbítrio de construir e seguir novos e melhores caminhos. Temos que nos indignar com as maldades, a maldade que destrói outros seres humanos, a própria Terra e a ambição, no sentido de ganância que, também vem destruindo nosso planeta e outros seres humanos, deixando marcas de destruição.


A Terra tem a capacidade da metamorfose e poderá destruir quem tenta destruí-la, para continuar em sua órbita perene.
Editado Revista Zap

Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez






















OS GIRASSÓIS DE VAN GOGH

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez

Os girassóis de Van Gogh
Eliane Triska



Colhi meus girassóis...Se olhavam tristes.
E os coloquei no vaso dos guardados
Onde, só, a beleza nunca existe,
Pra sempre poder vê-los abraçados.

Pintei-os, um a um... Eu quis assim.
E dei-lhes por moldura a poesia,
Do pólen espargido de um jasmim.
E o pincel quis dar forma ao que sentia.

Ó natureza morta sem anseios.
A dor seca a vida dos teus veios
Não chorem girassóis ao meu olhar!


- Alegrem-se! Feliz os mostro ao mundo
E no vaso me assino: um moribundo
Que enfim os pode imortalizar!






***Canoas - RS
 
 
 
 
Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


terça-feira, 20 de setembro de 2011

REAJA À VIOLÊNCIA RACIAL

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

 Aparecido Donizetti Hernandez




REAJA À VIOLÊNCIA RACIAL
Milton Barbosa
( Miltão do MNU)


Negro
se você não reagir
você será morto

morto socialmente
culturalmente
economicamente
psicologicamente
moralmente
precocemente

morto antes de nascer
ainda no ventre materno
será morto sem trabalho
sem escola
sem ter onde morar
não terá direitos
nem saúde
estará sempre acompanhado
da praga da embriaguez
da prostituição
empurrado para o crime

você será morto
nas prisões, nas ruas
no campo, nas cidades
por fome
por uma bala da polícia

morto sem história
com a angústia de não ter lutado
sua dignidade
estraçalhada





React to Racial Violence
Milton Barbosa
( Miltão do MNU)



Black one
If you don`t react
you will be dead

Dead socially
culturally
economically
psychologically
Morally
precociously

Dead before birth
still in yor mother`s womb
You`ll be dead without work
without school
without having anywhere to live

You won`t have rights
or health
You will always be accompanied
by the curse of drunkenness
prostitution
pulled toward crime

You will be dead
In the prisions, in the streets
In the fields, in the cities
from hunger
from a police bullet

dead without history
with the anguish of not having fought
your dignity
stripped
of dignity







Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez

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Idéia Original: Lilian Regina de Andrade


Formatação : Aparecido Donizetti Hernandez

POETAS DEL MUNDO - EMBU DAS ARTES

VOU PRA TERRA DE IRACEMA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.



Aparecido Donizetti Hernandez




VOU PRA TERRA DE IRACEMA
Solano Trindade


Vou pra terra de Iracema,
Amanhã - se Deus quiser,
Dizem que a terra é bonita,
Como olhar de mulher...
Vou pra terra de Iracema
Vou mimbora prô Ceará
Meu coração quer queu siga
A minhalma quer queu vá...






domingo, 18 de setembro de 2011

TURVA VISÃO




TURVA VISÃO
Aparecido Donizetti Hernandez

Tento afastar-me de ti,
Mas como afastar-me de ti?...
As tuas nítidas visões
São parte das minhas turvas visões...


Turvas visões de seu corpo translúcido,
Seu rosto alegre,
Seus lábios sorrindo...


Com teu rodado vestido sentada à grama
 Levanta-se ao meu encontro...
Não te encontro, não me encontro
Nem em nossos breves encontros...

Encontro-te nas minhas turvas visões,
Quando sei de suas nítidas visões
De nossos encontros em todas as vidas
E de nossos desencontros.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

EU



EU
Manoel Virgílio Pimentel Côrtes



Eu sou, apenas, de um todo, uma parte
E nada, neste mundo, nunca mudo.
Sozinho sou simplesmente um encarte
Um sócio sem gerência nesse tudo.

Eu guardo, em mim mesmo, meu sentir,
Procuro ser diverso em meu querer.
Se tenho o direito de ir e vir
Contudo, me é negado o de ser.

Eu sou somente um grão na tempestade,
Da areia que se move em turbilhão,
Que leva de roldão, tudo em arrastão,

Eu sou quem tudo quer, mas não tem nada,
No ciclo da existência programada,
Apenas um ser a mais na multidão.




Antologia da Associação Poetas del Mundo – Vol. 1

VIAJANTE


VIAJANTE
Aparecido Donizetti Hernandez
Ipanema - 08/09/2011
03h00



"Casa de Praia de Ipanema" - "Torre de Babel" de jovens viajantes,
Encontro dos encontros de múltiplas culturas
À procura de nossa cultura
Que nem sempre soam nas estações das Rádios
- Músicas que não são nossas -
Levam-lhes a conhecer não as belezas do Rio,
Mas as mazelas do nosso povo.

"Casa de Praia de Ipanema" , ponto de encontro dos desencontros,
Desencontros da nossa cultura, que não valorizamos,
Bucólico abrigo dos viajantes do mundo,
Onde me encontro na solidão de seus beijos,
De seus toques, de seu sorriso...

Só em meus pensamentos na viagem de saudades,
Fito o céu... vejo as orquídeas nas ruas e lembro-me de ti,
Nos versos que escrevo te descrevo,
E agora sentado à beira da praia de Ipanema,
Somente teus olhos vejo no infinito do céu estrelado.



domingo, 11 de setembro de 2011

POETAS DEL MUNDO - RIO DE JANEIRO

Hoje, 10 de setembro de 2011, na linda cidade de Maricá, região dos lagos do Estado do Rio de Janeiro, foi inaugurado no Centro de Produção Cultural, o “Espaço Mestre Raladinho, situado no centro da cidade, na rua Domício da Gama, 107 - A, que também abrigará a sede Estadual da Associação Internacional Poetas del Mundo, com a prestigiosa presença da Presidente Mundial poetisa Deslanive Daspet juntamente com poetas de vários Estados, onde honrosamente fomos recepcionados pela poetisa Zélia Balbina, Cônsul no Estado do Rio, que na oportunidade fez o lançamento de seu livro “Amor em Pecado”. Parabéns à aguerrida poetisa e Cônsul de Poetas del Mundo do Estado do Rio de Janeiro, Zélia Balbina, e à Maricá, por ter tão ilustre cidadã.


 Aparecido Donizetti Hernandez
 Cônsul Poetas Del Mundo – Itapevi/SP



terça-feira, 6 de setembro de 2011

BIENAL DO RIO DE JANEIRO

Antologia Poetas Del Mundo – Volume 1, participo da obra com duas poesias e estarei nesta sexta-feira dia 09 de Setembro – Bienal do Livro do Rio de Janeiro para o lançamento. Compartilho com todos a minha alegria e honra de estar presente em tão importante livro. Aparecido Donizetti Hernandez Cônsul Poetas Del Mundo – Itapevi-SP Ideais do Poeta Chileno Árias Manzo que afirma em nosso manifesto: ...[...] Assim como deterioramos o planeta constantemente com o uso dos recursos naturais e humanos, assim se constroem armas de destruição em grande escala, capazes de destruir toda a humanidade em poucas horas, e a supremacia do poder se concentra sempre nas mesmas mãos, no que hoje conhecemos com Império(s). Porém, nem tudo é negativo, porque o caos moral, caos ético, o caos político (guerras infames), o caos econômico (coisas absurdas) não são outra coisa senão manifestações do PARTO DA HISTÓRIA, como quando uma mulher dá a luz a uma criança; morre uma etapa e surge outra de seu regaço... [...]..