segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SONETO


SONETO
Felinto Elísio


Triste cipreste de agourada rama,
Horror desta feíssima espessura,
A vós me envia a minha desventura,
O meu mortal destino a vós me chama.

Nesta rocha, em que o mar rebenta e
Vejos abrir medonha sepultura, [brama,
Em que enterra comigo a mágoa dura,
Com que a alma luta, ausente do bem
[que ama,

Vós, troncos, inclina com dor sentida
Maviosa sombra a meu penar sobejo:
Frio punhal, que me atravessa a vida!

Ternas aves, cumpri com meu desejo;
Tristes cantai, na amarga despedida,
Que já dou, se Macia vir não vejo.

*Poeta: Felinto Elísio
SONETO do Poeta Português Filinto Elísio.

Aqui vai uma singela biografia do poeta em questão.
Francisco Manuel do Nascimento, mais conhecido pelo nome poético de Felinto Elisío, nasceu em Lisboa, em 1734. Ordenado presbítero , exerceu o cargo de tesoureiro em uma igreja portuguêsa. Mas denunciado como herege, teve que fugir da inquisição, refugiando-se na França. Aí conviveu com o poeta Lamartine, de quem se tornou amigo. A sua poesia é geralmente acusada de dura e sem inspiração. Mas ganhou um lugar definitivo na literatura portuguêsa para ser escrita no mais castiço idioma, de quem o poeta soube ser defensor intransigente. Filinto Elísio faleceu em Paris, em 1819.

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