domingo, 25 de julho de 2010

HOLOCAUSTO

HOLOCAUSTO
Lairton Trovão de Andrade



Os hinos que estão esquecidos,
Os dias que mal os vivi,
Os sonhos que não os sonhei,
Os versos que nunca escrevi...

Do fundo do mar o negrume,
O hélio apagado do Sol,
A Lua coberta de nuvem,
O já desbotado arrebol...

A triste canção sem o ritmo,
A minha poesia sem nome,
A feia pintura que eu fiz
E o mais infecundo pronome...

O eclipse total lá do Sol,
O velho que está com pavor,
O choro dorido do Iraque,
O jovem que não tem amor...

O ozônio queimado do céu,
A bomba que já explodiu,
A prole sozinha sem pai,
A boca que nunca sorriu...

A Deus ofereço esta dor,
- Eu juro, não sou o Caim -
Que o Deus do Universo e do Amor
Perdoe, por ti, o erro em mim!

A mãe que matou seu bebê,
O ódio malvado do irmão,
A luta sem trégua do lar,
Do mundo a violenta paixão...

A luz do olhar deste cego,
A voz deste mudo cantor...
Suspiro de ave sem ninho,
Amigo caído com dor...

A vil poluição destrutiva,
Aquele progresso mortal,
A luz apagada da morte,
A fúria de um vendaval...

A louca corrida das drogas,
A promiscuidade sexual,
A aids com sua mortalha,
O reino tão negro do mal...

A paz lá da guerra funérea,
A sede do irmão nordestino,
A fome de todos os homens,
A culpa sem fim do destino...

A Deus ofereço esta dor,
Embora não seja o Caim,
Que o Deus do Universo e do Amor
Perdoe, por ti, o erro em mim!



Lilian Andrade

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