quarta-feira, 21 de julho de 2010

SAUDADE DO SERTÃO

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


SAUDADE DO SERTÃO
Lourival Perez Baçan



Que choro é esse que o sertão escuta
Feito o lamento de um carro de boi
Feito um berrante que no entardecer
Toca "o silêncio" para o sol morrer.

Será o aboio de um vaqueiro triste
Vagando a esmo no estradão de pó
Ou passarinho tonto, sem destino
Caçando a mata que não mais existe.

Talvez um riacho soluçando calmo
Por sobre um leito que não reconhece
Ou nas pastagens, relinchando inquieto
Pobre cavalo só esperando a morte.

Quem sabe até seja uma boa viola
Que espera a lua pra fazer poesia
Ou a moçada em volta da fogueira
Contando causos numa noite fria.

Mas na verdade quem viveu já sabe
O que é o soluço que do peito sai`
É uma tristeza feita com saudade
Dos velhos tempos que não voltam mais.




Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

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